Sua Majestade, Dilermando Reis

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Vamos ter muita música, muito violão, gravações e outras coisas mais por aqui. Para a estréia, peço a benção do grande violonista e compositor Dilermando Reis, onde no texto "Sua Majestade, Dilermando Reis" conto um pouco sobre a sua história, seu legado e porque Dilermando é sinônimo de violão! O texto conta com dados históricos além de recortes de jornais da época sobre o querido violonista guaratinguetaense. Boa leitura!




Sua majestade, Dilermando Reis

Dilermando Reis, violonista e compositor, autor de obras marcantes, como a valsa "Se ela Perguntar" ou o chôro "Dr. Sabe Tudo" e intérprete memorável de obras como "Abismo de Rosas" e "Sons de Carrilhões", deixou marcado na história do instrumento, uma forma genuinamente brasileira de produzir música. Seu legado passa por composições autorais e interpretações de obras de outros compositores que ficaram marcados pela sua característica execução, além do pioneiro trabalho no rádio, influenciando gerações de músicos e ouvintes.

De Guaratinguetá para o Rio de Janeiro

Nascido na cidade de Guaratinguetá, interior de São Paulo, começou a aprender violão tendo aulas com seu pai, Francisco dos Santos Reis. Dilermando tomou lições também com Bonfiglio de Oliveira e outros professores. Em seu repertório inicial, sua estruturação era na forma do choro, tendo músicas de Canhoto e Mozart Bicalho. Em pouco tempo, Dilermando já era considerado pela população local o melhor violonista de Guaratinguetá.
Em 1931, Dilermando conhece aquele que se tornaria seu professor e contribuiria para sua formação, o mato-grossense Levino Albano da Conceição, violonista cego, que realizava turnê pelo Brasil e estava de passagem em Guaratinguetá. Dilermando segue junto com Levino e assim dá inicio a sua vida profissional. Excursionaram pelo Brasil até 1933, quando Dilermando foi deixado no Rio de Janeiro, então capital da Republica.
No Rio de Janeiro, Dilermando iniciava o contato com outros músicos, conhecendo inicialmente João Pernambuco. Logo começou a dar aulas em varias localidades, como a loja “Bandolin de Ouro” e “A guitarra de Prata”. Até que em 1936, o violonista deu inicio em sua carreira no rádio.

Dilermando Reis de encontro ao Rádio


    (Última Hora, página 5, 24-11-1952)
                                                 
Dilermando trabalhou mais de trinta anos no Rádio, atuando em programas, acompanhando cantores, tocando solo, chegando também a integrar o grupo Regional de Pixinguinha, passando a ser o violonista mais bem pago do meio radiofônico tendo participado de várias fases de seu desenvolvimento. Inicialmente, ele trabalhou na Rádio Guanabara. Em 1936 foi apresentado a Renato Murce, diretor musical da Rádio Transmissora e foi convidado a integrar dois programas. Posteriormente Dilermando trabalhou também na Rádio Clube do Brasil. Na década de 40, paralelamente a suas atividades na rádio, o violonista iniciou a gravação de suas composições. Nessa mesma década, Dilermando formou um Duo de violão com Jayme Florence, o Meira, o qual fazia a base para que Dilermando solasse. Esse Duo gravou e se apresentou por cerca de oito anos.

  (Última Hora, página 3, 12-06-1952)
                                             
Em 1953, foi para os Estados Unidos para uma rápida temporada de concertos e acabou sendo contratado por três meses pela TV CBS. O jornal "Correio do Amanhã" relata sobre a temporada nos Estados Unidos e a volta de Dilermando ao Brasil.

(Correio do amanhã, página 8, 03-02-1954)
                                               
Depois de passar por vários programas no Rádio, em 1956 ele ingressa na Rádio Nacional e ganha um programa diário de violão, intitulado “Sua Majestade, O Violão”, programa esse que lhe daria uma posição diferenciada como artista, devida a tamanha exposição. No programa ele apresentava suas composições bem como interpretava clássicos da música instrumental. O programa foi ao ar até o ano de 1969.

         (Última Hora, página 2, 18-04-1952)

O legado

Dilermando foi o primeiro a organizar uma orquestra de violões, a qual contou com nomes como Nicanor Teixeira, Solon Ayala, Euclides Lemos e Osmar Abreu (pai dos irmãos Sergio e Eduardo Abreu, destacado e respeitado Duo de violões).  Atuou no rádio durante 33 anos além de 34 anos dedicados a estúdios de gravação. Em sua discografia, além de registros de suas composições que chegam a contabilizar pouco mais de 100 obras, encontramos discos dedicados a Pixinguinha e Ernesto Nazareth bem como discos com o cantor Francisco Petrônio e Frei José Mojica. O jornal "Gazeta de Noticias" destaca um balanço dos discos mais vendidos naquele ano, tendo Dilermando Reis em primeiro lugar.

   (Gazeta de Noticias, página 8, 05-10-1956)
                                           

Em sua carreira Dilermando atuou durante 26 anos como professor de violão, tendo entre seus alunos, o violonista Nicanor Teixeira, o presidente Juscelino Kubitschek e sua filha Maristela. Por ter sido professor do presidente J.K., o fato acabou lhe rendendo repercussão na imprensa, como destaca o jornal "Tribuna da Imprensa" e até citação em uma música de Juca Chaves o violonista ganhou.


" [...] Também pode ser um bom artista, exclusivista, tomando com Dilermando
umas aulinhas de violão.
Isso é viver como se aprova, é ser um presidente bossa-nova [...]”. (Música
do cantor e compositor Juca Chaves - "Presidente Bossa-Nova").

(Tribuna da Imprensa, página 2, 14-01-1959)
                                             

Representante de uma geração de violonistas, Dilermando foi um disseminador e defensor da música brasileira, transcreveu e editou dezenas de obras para violão, aumentando o repertório para alunos e músicos, sendo contribuidor para que o violão se firmasse como instrumento solista, conseguindo vencer o preconceito por viver do instrumento. Dilermando Reis morreu no Rio de Janeiro em 2 de janeiro de 1977 e foi enterrado em sua cidade natal, Guaratinguetá.

(Entrevista de Dilermando para a Revista Careta, página 20, 20-12-1941)


Sua obra continua sendo executada e estudada não só no Brasil, mas pelo mundo. Muitos violonistas brasileiros e também estrangeiros foram intérpretes e gravaram suas composições, entre eles Baden Powell, Paulinho Nogueira, Sebastião Tapajós, Turíbio Santos, Raphael Rabello, Marco Pereira, Paulo Bellinati, David Russell e Yamandú Costa.
Seu legado, suas atuações nos programas de rádio, bem como em conjuntos regionais e também suas composições tipicamente brasileiras o marcam como um dos violonistas mais influentes do Brasil.




Referências Bibliográficas

 “Violão com Fábio Zanon.” Disponível em: <http://vcfz.blogspot.com/2006/05/o-violo-no-brasil-depois-de-villa.html> Acesso em: 10.03.2017

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